Modelos inovadores e tecnologias sociais são cocriados com as comunidades, fortalecendo a autonomia, a valorização cultural e a resiliência em um ecossistema de soluções integradas. Isso tudo resulta em impactos de longo prazo para um futuro com justiça social, solidário e com a Amazônia em pé.
Voltar à Amazônia e ver a evolução é emocionante. A UBS da Floresta é um modelo construído com e para a comunidade. Estamos levando o SUS para dentro da floresta, respeitando os modos de vida e garantindo cuidado onde as pessoas vivem
Ministro da Saúde | Alexandre Padilha
O Projeto Saúde e Alegria (PSA) concentra sua atuação no Oeste do Pará, numa área maior do que o estado de São Paulo. As grandes distâncias, a baixa infraestrutura e a dispersão das comunidades resultam em acesso precário a serviços básicos, como saúde, água e saneamento.
Com municípios do tamanho de países, o território impõe desafios logísticos. Os altos custos operacionais, conhecidos como custo amazônico, somam-se às longas distâncias e às dificuldades de transporte, ampliando a vulnerabilidade das populações que vivem às margens dos rios e em áreas de difícil acesso.
Ao longo de seus 40 anos de atuação na Amazônia, o PSA transformou essa complexidade em expertise. Por meio de uma abordagem participativa, desenvolveu metodologias próprias para chegar a comunidades distantes em viagens de barco que podem durar até 20 horas, mobilizando equipes interdisciplinares e cocriando soluções adaptadas a cada território, sempre com foco na promoção do bem-viver.
Quase metade da população do Pará não tem acesso à rede de abastecimento (48,37%). No Oeste do Pará onde atuamos, os percentuais são ainda piores:, 51,51% não tem acesso à rede em Santarém e 92,23% em Itaituba.
Mais de 82% da população do Pará ainda não tem acesso à rede coletora de esgoto. No Oeste do Pará, os percentuais são ainda mais elevados. Em Santarém, 96,23% da população vive sem acesso a esse serviço.
A mortalidade infantil no Pará permanece elevada. Em Santarém ainda temos 16,43 óbitos por mil nascidos vivos, enquanto em São Paulo esse índice é de 10,99.
Fonte: IBGE, 2023
Nosso propósito é promover a qualidade de vida, o exercício da cidadania e o protagonismo dos povos da Amazônia, por meio de processos de desenvolvimento integrado sustentável, justiça climática e do aprimoramento de políticas públicas.
Os desafios enfrentados pelos povos da floresta exigem respostas integradas e colaborativas. Estruturamos nossos projetos em áreas que se complementam e se retroalimentam.
Apoiamos estratégias inovadoras para cuidado integral da saúde em áreas remotas, com a consolidação de um modelo de atenção básica capaz de responder aos contextos locais. Combinamos infraestrutura comunitária (como postos de saúde com energia solar, kits de telessaúde e UBS Fluvial), formação de agentes comunitários e articulação com as políticas públicas de saúde.
Disseminamos tecnologias sociais de baixo custo e soluções adaptadas aos territórios para ampliar o acesso a saneamento, energia e conectividade. A infraestrutura básica é fundamental para reduzir desigualdades, garantir o acesso a políticas públicas e aumentar a resiliência diante das mudanças climáticas.
Combinamos linguagens artísticas e pedagógicas na integração de saberes ancestrais com a força criativa da juventude para a comunicação popular. A inclusão digital ética e o fortalecimento de identidades amplia vozes dos povos da floresta e promove protagonismo comunitário.
Valorizamos a sociobiodiversidade para garantir o bem-viver dos povos tradicionais e agricultores familiares. A integração de conhecimento tradicional e inovação aumenta a participação dos produtos e serviços da floresta nos sistemas alimentares e na economia regional.
Fortalecemos as organizações comunitárias para a construção de estratégias de governança que respeitem os direitos coletivos e os saberes locais. A promoção do protagonismo de movimentos sociais, conselhos e federações, tem foco na regularização fundiária, no ordenamento territorial e na proteção das áreas comuns.
Presença constante em fóruns, conselhos, articulações e espaços públicos, dentro e fora da Amazônia. Ao ampliar a presença do território em redes estratégicas para fortalecer a contribuição para políticas públicas transformadoras.
A Amazônia regula a temperatura e a chuva da Terra, é o "paracêtámal" do mundo. Se Amazônia cuida da saúde do planeta, quem cuida da saúde dela são os povos da floresta, que estão aqui muito antes da gente. E quem cuida da saúde deles?
Co-fundador e coordenador-geral do PSA | Dr Eugenio Scannavino Netto
Na região do país que mais carece de infraestrutura básica, serão mais que bem-vindos investimentos em adaptação climática que melhorem o acesso às energias renováveis, ao saneamento, à água de consumo, aos sistemas de irrigação, de conservação de alimentos, de atenção primária, entre outros.
Coordenador-geral do PSA | Caetano Scannavino
Leia outros artigos de Caetano Scannavino na sua coluna na Folha.
As denúncias enviadas para o Projeto Saúde e Alegria são recebidas pela Ouvidoria e pelo Comitê de Gênero e Diversidade, que realizam uma triagem inicial das informações e asseguram seu sigilo e confidencialidade.
O que aconteceu essa semana em cada programa
Amazônia e seus povos
O Projeto Saúde e Alegria manifesta posição contrária ao chamado PL da Devastação por entender que ele fragiliza o licenciamento ambiental, enfraquece a proteção dos territórios e amplia riscos à saúde, à água e ao clima, especialmente na Amazônia. A proposta ignora evidências científicas, desconsidera direitos de povos indígenas, comunidades tradicionais e populações ribeirinhas, e abre caminho para o aumento do desmatamento, das queimadas e das desigualdades socioambientais. Defender a vida, a floresta e o bem-estar das populações amazônicas exige políticas públicas responsáveis, baseadas na ciência, na participação social e no respeito aos limites ecológicos do planeta.
O Projeto Saúde e Alegria se posiciona de forma contrária ao Marco Temporal por considerar que ele viola direitos originários dos povos indígenas, ignora a história de expulsões, violências e deslocamentos forçados e ameaça a integridade dos territórios que sustentam culturas, modos de vida e sistemas de cuidado fundamentais para a Amazônia. Ao enfraquecer a demarcação de terras indígenas, o Marco Temporal amplia conflitos, estimula a grilagem e compromete a proteção da floresta, da água e do clima. Defender os direitos indígenas é defender a Constituição, a vida e o futuro comum de toda a sociedade.














